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Opinião

  • 27 de Março de 2004

    OS RATOS, O GATO E O PT

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    OS RATOS, O GATO E O PT

    Certa vez, um caçador aproximava-se com cautela de uma pomba para apanhá-la na rede de caça. Sem querer, puxou uma víbora que o mordeu e o seu veneno quase lhe causa a morte. Diante do perigo, exclamou o caçador: “pobre de mim. Querendo caçar um peguei outro que me coloca em perigo de morte”. A conclusão é que “muitos caem nos próprios laços que armaram para que os outros caíssem neles”.

    Em passado recente, a linguagem do Partido dos Trabalhadores era contundente e colocava em prática o estranho princípio jurídico de que “indício ou presunção” são provas e até sentenças transitadas em julgado. A CPI – instrumento parlamentar de investigação – de tão usada como meio de mobilizar politicamente a opinião pública deu a glória e a vitória a muitos personagens hoje na cena política em Brasília, como o próprio Presidente da República, José Genoíno, Mercadante, Suplicy e tantos outros.

    O PT “armou laços de ética política” e com eles “laçou” o eleitor, na última eleição. Historicamente, o partido teria um terço de votos. Passou dos 50%. Isto quer dizer, muitas pessoas não petistas acreditaram que haveria uma limpeza geral no mar de lama que, aparentemente, existia na política brasileira. Pregaram que o servidor público, os aposentados e os assalariados ganhavam pouco pela corrupção geral. Hoje, estão vendo que o Orçamento é um “lençol curto”: quando cobre os pés, descobre a cabeça e vice versa. Administrá-lo com responsabilidade e prioridade é a tarefa do governante. Nunca fazer milagres.

    Que diferença existe entre Waldomiro e PC Farias? Ambos, circularam nos corredores do poder em defesa de “clientes” e “interesses”. Se um é mais culpado do que outro, ou, se tinha ou não o apoio “palaciano”, somente uma investigação parlamentar (porque o fato é essencialmente político) poderá esclarecer. É o óbvio ululante. Não se trata de por em risco a governabilidade. Evitar a CPI, talvez seja um risco maior.

    As nuvens pesadas da dúvida turvam os céus de Brasília. E nas minhas reflexões lembrei-me da cozinha daquela fábula, onde viviam uns ratinhos e um formoso gato, tão caçador que estava sempre à espreita. Os pobres ratos não saiam do buraco, com medo. Em certo momento, faltou-lhes alimentos e reuniram-se em conselho para acabar com aquela terrível situação, que os condenaria irremediavelmente à morte. Um dos ratinhos propôs: “sabemos por onde o gato anda. Vamos, então, atar em seu pescoço um guizo”. Todos aplaudiram e tiveram a sensação de dias mais felizes e vida com mais justiça. Entretanto, um rato mais velho e esperto observou: “está tudo muito bem, mas quem irá por o guizo no pescoço do gato?”. Silêncio geral. Ninguém respondeu. E o sonho de liberdade acabou.

    Talvez, muitos políticos do PT, hoje estejam conscientes de que, mesmo tendo boa fé, “é mais difícil fazer as coisas do que dizer como se fazem”.

    ACONTECE

    Veríssimo - Protásio Melo lança em breve livro sobre a vida do folclorista e homem de letras Veríssimo de Melo. A obra fará justiça a um dos maiores talentos da literatura potiguar e brasileira.

    Severino Lopes - Severino Lopes de Oliveira – Severino contador como era conhecido – recebeu homenagem póstuma do Tribunal de Contas do Estado. O seu nome foi dado à Escola de Contas, recém-inaugurada, que irá promover estudos e pesquisas sobre técnicas de administração pública no RN e capacitação técnica do quadro de pessoal do TCE.

    Pioneiro - Sou testemunha do zelo de Severino Lopes de Oliveira nos primeiros passos do nosso Tribunal de Contas, em 1960. Ao lado de Romildo Gurgel, Múcio Vilar Ribeiro Dantas e outros, estruturou a contabilidade da Corte. A princípio, trabalhava sem remuneração. Um verdadeiro pioneiro. Homenagem justa.

    Mentira - Quinta próxima, 1° de abril - o dia da mentira. A origem dessa brincadeira remonta ao ano de 1564, quando o rei Carlos IX, da França, alterou as comemorações do Ano Novo, antes realizadas entre 25 de março e 1° de abril, começo da primavera na Europa. O novo calendário fixou o dia 1° de janeiro. A mudança gerou revolta e muitos franceses continuaram festejando a virada do ano em 1° de abril. Para ridicularizar essas pessoas, eram-lhes enviados convites para festas que não existiam e a data passou a ser chamada o “dia da mentira”.

    Claudionor de Andrade - O “Instituto Claudionor Telógio de Andrade” (ICTA) já funciona em prédio próprio na rua Padre Raimundo Brasil, em Nova Descoberta. O nome da instituição homenageia um dos maiores advogados do Estado, político e líder da classe advogados, tendo presidido a seção estadual da OAB por mais de 15 anos. O ICTA presta “serviço permanente de pronto - socorro jurídico”, atendendo pessoas carentes na orientação legal em matéria de direito penal, direito de família, direito civil em geral e direito trabalhista.

    Edgar Barbosa - Li, recentemente, o livro do Mestre Edgar Barbosa “História de uma campanha”, que relata a primeira grande campanha política do Estado, em 1934, liderada pelo Partido Popular, cujo líder maior foi o dr. José Augusto Bezerra de Medeiros. Sem os meios físicos e eletrônicos de hoje, a caravana oposicionista percorreu todo o Estado. Enfrentou o arbítrio, a força, a ameaça e o candidato Rafael Fernandes ganhou a eleição.

    Caicó - Quando presidente da Comissão de Constituição, Justiça e redação final da Câmara dos Deputados, em 2002, obstrui a votação do projeto de lei que criava novas varas da justiça federal no país. O objetivo alcançado foi incluir duas varas para o RN: Mossoró e Caicó. Ambas estão criadas com a lei em vigor. Mossoró instalará em breve a sua justiça federal. Em seguida, começa a luta para que a outra vara seja colocada em funcionamento em Caicó.

    Rádios Poti & Parelhas - Amplia-se para 14 emissoras espalhadas no RN a rede radiofônica que transmite o meu programa semanal “Ney Lopes na luta com você”, no ar há 13 anos ininterruptos. As rádios Poti de Natal e Rural de Parelhas levarão ao ar este programa, aos domingos, a partir do meio-dia.

    Aposentados - Injustificável, absurda e ilegal a fórmula encontrada pelo Governo Federal para reajustar os servidores ativos e inativos do serviço público federal. A regra anunciada asseguraria aos aposentados e pensionistas apenas 10% do aumento concedido aos servidores da ativa. De outro lado, os funcionários da ativa fariam jus a um aumento linear (para todos) inferior a 1%. Somente algumas categorias escolhidas pelo Governo teriam aumentos diferenciados de até 20%, sob a forma de gratificação. O artigo 37, X, da Constituição é claríssimo ao garantir o direito de reajuste ao servidor público, sob a forma de "revisão anual, sempre na mesma data e sem distinção de limites". Punir os aposentados, pensionistas e discriminar funcionários, dando a uns aumento maior e a outros menor, é instalar no Brasil o paraíso da ilegalidade e do arbítrio. Temos que resistir a tudo isto.

    Novo ardil - Novo ardil é montado pelo Governo contra os aposentados, pensionistas e servidores em geral. A PEC paralela, cujo texto deveria ser aprovado por acordo feito no Senado para corrigir injustiças flagrantes, está sendo "sabotada" pelo Governo. O relator deputado José Pimentel descumpriu o acordo em seu parecer, endurecendo as regras de transição para assegurar apenas aos funcionários que ingressaram no serviço público até dezembro de 1998 a chance da aposentadoria integral. Outras mudanças igualmente prejudiciais aos servidores foram colocadas no parecer do relator. Recorde-se que o Governo, em dezembro, prometeu aprovar esta PEC Paralela, em troca da aprovação das reformas previdenciárias e tributária. Agora, descumpre tudo que acertou...

    Coluna Publicada aos domingos
    nos jornais O POTI e GAZETA DO OESTE
    Natal e Mossoró - Rio Grande do Norte