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Entrevistas

  • 24 de Junho de 2010

    Entrevista de Ney Lopes Júnior

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    O advogado e vereador em Natal Ney Lopes Júnior decidiu que vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, usando as cores do Democratas. Filho do ex-deputado federal Ney Lopes, ele diz que tem se espelhado na conduta política do pai e defende que a classe política deva ter, antes de tudo, espírito público antes de se lançar a um projeto desse nível.

    NEY LOPES JÚNIOR, PRÉ CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL, DIZ QUE SEGUIRÁ A CONDUTA POLÍTICA DO SEU PAI. Confira:

    GAZETA DO OESTE - Você é pré-candidato a deputado estadual. Como é que está a caminhada, você que é filho e herdeiro político do ex-deputado Ney Lopes?

    NEY JÚNIOR - Primeiramente, eu sou pré-candidato a deputado estadual, pois só podemos falar em candidaturas após as convenções partidárias, no caso do meu partido, o Democratas, será realizada no dia 26, no Ginásio do Palácio dos Esportes, em Natal. Desde muito cedo, acompanhei ativamente as eleições do meu pai. Eu lembro, e estou no ambiente extremamente apropriado, que é a região Oeste do nosso Estado, que o meu primeiro discurso foi com oito anos de idade, na cidade de Umarizal, ou seja, eu sempre alimentei esse desejo, essa vontade de entrar para a vida pública, até mesmo por ter uma pessoa também muito dedicada à política do nosso Estado, que é meu pai, o ex-deputado Ney Lopes, que eu acompanhei momentos difíceis da sua carreira, mas também momentos de muitas alegrias. Eu queria ter entrado na política logo aos 18 anos, pois ao completar essa idade, eu quis ser candidato a vereador em Natal.

    Meu pai foi contra, pois achava que eu primeiro precisava me formar. E dizia: "Enquanto eu for vivo, você jamais vai ser político por profissão. Você será político por vocação, se desenvolver isso no decorrer de sua vida". Eu ainda quis ser um pouquinho rebelde, insistindo na minha candidatura, mas hoje, graças a Deus, agradeço muito esse conselho que meu pai me deu, pois hoje sou advogado, sou jornalista, militante nas duas profissões, e estou na política, realmente com o desejo de servir ao meu Estado, no caso, exerço o mandato de vereador em Natal, servir à capital e, posteriormente, nos pleitos eleitorais, vir a servir também ao povo do Rio Grande do Norte, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico e político do Estado, com novas ideias, formas de pensar, de agir, de construir um ambiente para melhorar a qualidade de vida da nossa gente.


    GO - Que lições marcantes você aprendeu com seu pai, em cima da questão política?

    NJ - Ele deixa, ainda. Eu recebo conselhos do meu pai quase diariamente. Ele sempre costuma dizer: "Meu filho, nunca abandone os seus ideais. Siga sempre aquilo que você admira, aquilo que você acha que é o melhor. Nunca se deixe vencer pela corrupção, seja sempre fiel aos seus pensamentos". Então, essas lições de dignidade na política, a cada dia que passa, nós podemos observar, que estão desaparecendo, eu, até por uma tradição familiar, e com outros políticos também, eu não sou o único, evidentemente, mas eu procuro zelar pela credibilidade. Meu avô já dizia: "Político pode perder tudo, menos a credibilidade". E é desta forma que eu trabalho, com seriedade, com honestidade, com transparência, mostrando à população de Natal e do Rio Grande do Norte aquilo que eu possa servir e prestando contas permanentemente do exercício do meu mandato.


    GO - Nesse momento até de desgaste da classe política, não só no Rio Grande do Norte, mas em nível de Brasil, de uma maneira geral, esse fato pode ser atribuído à falta de espírito público desses nossos representantes, seja em qual esfera atue?

    NJ - Totalmente. Eu acredito que a falta de credibilidade da classe política, com restrições, porque não são todos, diria até a maioria, que atua de forma séria, tentando realizar bons projetos, mas infelizmente nós temos aí uma minoria que termina contaminando aqueles que estão bem intencionados na política. Agora, isso aí é um mix, digamos assim, de culpa, tanto da classe política, como também da sociedade, porque, afinal de contas, você veja, por exemplo: a grande maioria daqueles deputados que estiveram envolvidos no escândalo do mensalão do PT, em Brasília, que renunciaram aos seus mandatos para concorrer às eleições, a grande maioria venceu pelo voto direto da população. E os políticos também contribuem para esse desgaste. De que forma? Hoje a política virou um mercado meramente financeiro.

    Não é inocência, não quero ser santo, mas hoje, o que nós estamos vendo, no Brasil? Um verdadeiro mercado, como outro qualquer. Você só se elege se tiver milhões de reais. Tem alguma coisa errada. A democracia está sendo deturpada, no meu modo de ver. Eu acho que o voto deve ser consciente, livre, porque, afinal de contas, o deputado federal ou estadual, o senador se elege para representar o Estado, o povo. E, para que essa representação se consuma, é preciso que haja uma identidade, um desejo de servir e de se dedicar à vida pública, e não a interesses privados, prática essa que eu condeno terminantemente.


    GO - Enfim, espírito público acima de tudo?

    NJ - Exatamente. Eu costumo dizer que sou político por vocação e não por profissão. Defendo que o político deva ter essa postura.


    GO - Projetos como esse da ficha limpa vêm contribuir com essa depuração da política brasileira ou é mera pirotecnia?

    NJ - Sem dúvida alguma, sou totalmente favorável ao projeto ficha limpa, que foi aprovado e está com o presidente da República. Isso é inquestionável, nós precisamos ter uma espécie de pré-seleção dos candidatos. Agora, da maneira que foi aprovado, é preciso que diga à sociedade a verdade. O projeto ficha limpa foi aprovado? Foi. Mas tem uma exceção. O político que se sentir prejudicado pode recorrer à Justiça e pedir autorização para ser candidato, ou seja, ele não é tão completo, tão moralizador como se fala, porque existe uma brecha no projeto ficha limpa, algum advogado que tem interesse em se preocupar leu o texto da lei propriamente dito, vê que ainda precisamos avançar muito mais para que tenhamos pessoas com condições de representar a população, seja lá em que segmento for. Quando eu digo condições de representar a população, não estou me referindo a condições de escolaridade, sociais ou sindicais, mas sim ao que você falou, à palavra mágica, espírito público. Você pode representar uma determinada entidade ou segmento da sociedade, mas com espírito público, com o desejo de servir para contribuir com a evolução da nossa cidade, do nosso Estado.


    GO - Com relação ao seu mandato, lá em Natal, como é que está, o que você pode dizer em relação a projetos?

    NJ - Uma experiência extremamente satisfatória. Eu até poderia arriscar a dizer que todo político deveria passar pela Câmara Municipal de sua cidade. Porque o vereador é o político que está mais próximo da população. Quando o povo precisa de um determinado tipo de ajuda, de um auxílio, seja na área da saúde, da educação, o primeiro político que ele procura é o vereador. Lá na Câmara Municipal de Natal eu procuro e venho desempenhando um mandato dentro das minhas condições, de uma forma com dois pilares. Primeiro, é buscar a defesa dos direitos do cidadão. Esse é um ponto muito importante no exercício do meu mandato. Eu tenho, em um ano e quase seis meses de mandato, 22 leis aprovadas e em vigor no município de Natal, porque eu sempre me preocupei com isso, até pelo exercício da profissão de advogado e jornalista.

    Vou dar o exemplo de um projeto que eu considero de extrema importância, pois se alguém me perguntasse qual dessas 22 leis eu destacaria, sem dúvida alguma eu responderia que seria a do concurso público. O que existe hoje: aquele apadrinhamento político para se conseguir um emprego numa repartição pública, vem sendo, de certa forma, substituído pelo concurso público. O que acontece? A Constituição Federal diz que o concurso público tem a validade de dois anos, podendo ser prorrogado por mais dois. Então, o estudante que não tem acesso a políticos, a empresários, enfim, a pessoas influentes, busca, no concurso público, a oportunidade de viver com dignidade com sua família, e ter, pelo menos, uma luz no fim do túnel. Aí, os governos, isso no Brasil todo, realizam os concursos públicos, cobram uma taxa de inscrição, tem um tal de cadastro de reserva, que em Natal não existe mais. O candidato paga a tal taxa, a alimentação nos intervalos das aulas, o cursinho, transporte, tudo isso sem ter a garantia de ser chamado, mesmo se passar. Ora, para que existir cadastro de reserva se não está precisando da pessoa? No dia que estiver precisando faz o concurso. Então, qual foi a lei de minha autoria que já está em vigor no município de Natal?

    Digamos que tenha um concurso público, no âmbito do município de Natal, pois o vereador só pode atuar naquela área geográfica que representa, para ocupar 20 vagas, digamos assim, de motorista na Prefeitura. Publicado no edital o resultado do concurso, as 20 vagas previstas no edital, os 20 primeiros classificados devem, obrigatoriamente, ser convocados para assumir a sua posição que passou. Então, isso dá maior garantia e motivação para que as pessoas possam estudar e ter a certeza de que seu estudo vai ser concretizado, na medida em que a Prefeitura passa a ser obrigada a contratar aquele concursando que conseguiu obter êxito dentro do limite das vagas dos editais. Em tese, esse seria um dos projetos. Eu tenho outro projeto, também aprovado na Câmara Municipal, que igualmente já é lei em Natal. O que é que acontece hoje em dia?

    Como advogado dessa área de direito de defesa do consumidor, também é outra preocupação que eu tenho: você tem um telefone celular, ou fixo, empresa de energia, e essa conta chega com uma semana, dez ou 20 dias de atraso, a multa e os juros já vêm embutidos na fatura seguinte. Muitas vezes o consumidor nem percebe que essas taxas estão embutidas automaticamente na fatura. Ele vai reclamar, chega à empresa, e recebe como resposta: "Nós não temos nada a ver com isso. É culpa dos Correios, pois entregamos na data". O cidadão vai aos Correios, que diz ter sido a empresa que entregou na data errada. Fica nesse jogo de empurra, e quase sempre quem sai com o prejuízo é o consumidor. Isso perdia, no município de Natal, porque hoje existe uma lei de minha autoria que obriga que as empresas devam colocar um carimbo na correspondência, uma espécie de protocolo, dizendo que entregou nos Correios aquela fatura ou tributos, porque quando digo correspondência, refiro-me à privada ou pública, com data e horário da entrega, para que o consumidor possa identificar de onde partiu o atraso, e assim ter o seu dinheiro, cobrado de forma indevida, devolvido.


    GO - Na semana que passou, o jornal Folha de São Paulo também destacou um projeto de sua autoria, que prevê a adaptação de caixas eletrônicos para portadores de necessidades especiais. Como foi concebido esse projeto e não há uma espécie de conflito com a Constituição Federal?

    NJ - As ideias dos meus projetos eu tiro muito do meu dia a dia. Andando no shopping, na rua, onde quer que seja, eu sempre estou observando e vendo o que eu posso fazer como legislador, que nós temos algumas limitações, para contribuir com o cidadão. E esse projeto que saiu, para mim foi muito gratificante, já é gratificante ser publicado na imprensa do meu Estado, para mim já é suficiente, quanto mais ver o reconhecimento do meu trabalho na Folha de São Paulo, um dos maiores jornais do país e, por que não dizer, do mundo, onde eles divulgaram projeto de lei de minha autoria, que prevê o seguinte: hoje, o deficiente, sobretudo o físico, vai para um caixa eletrônico, ora, o cidadão que não tem nenhum tipo de deficiência já tem dificuldade de acesso a um caixa eletrônico, imagine o deficiente físico. O que eu percebi: num determinado dia, em Natal, eu fui a um estabelecimento bancário num shopping, e vi a dificuldade de um cadeirante em retirar dinheiro, por conta da altura do teclado para digitar senha, o espaço para encaixar a cadeira e realizar suas transações bancárias, e tive a ideia de criar um projeto de lei determinando que todo estabelecimento bancário, em Natal, deve disponibilizar caixas adaptados para deficientes físicos. É uma lei, hoje, e é uma realidade.


    GO - Você, como uma das principais lideranças do Democratas na capital do Estado, como está observando esse momento pré-eleitoral, entrando para o eleitoral propriamente dito, quais as perspectivas do partido para o pleito de outubro?

    NJ - Nós estamos num momento de transição importante. Saímos de um momento político e entramos num momento eleitoral. O eleitoral, propriamente dito, é quem vai definir o sucesso ou não do candidato, seja ele a qual cargo for. Eu vejo hoje o Democratas como um partido que está numa situação, não digo privilegiada, porque não há privilégio em eleição, mas confortável, uma vez que nós temos as pesquisas que saíram, que são informações públicas e notórias, onde a nossa pré-candidata ao Governo do Estado, senadora Rosalba Ciarlini, lidera as pesquisas de intenção de votos, assim como o senador José Agripino Maia, eu até costumo dizer brincando, mas que não é brincadeira, que nós perdemos até a paternidade do senador José Agripino, diante da sua ascensão no cenário político nacional, e que é presidente estadual do Democratas.

    Temos também nas chapas proporcionais, tanto para deputado estadual quanto para federal, homens e mulheres capacitados, com relevantes serviços prestados ao Rio Grande do Norte, portanto, o nosso partido tem tudo para obter bom resultado na eleição de 3 de outubro. No entanto, nós precisamos ter, e nós temos isso, a consciência de que também vamos enfrentar adversários capacitados e também com relevantes serviços. Então, nós temos que ter essa consciência para que possamos fazer uma campanha limpa, justa, séria, onde vence aquele ou aquela que apresente as melhores propostas para, sobretudo, o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte. Eu, particularmente, estou muito confiante na vitória do Democratas, mas quem vai decidir isso é o eleitorado do nosso Estado.


    GO - Em Mossoró, inclusive dentro do favoritismo da senadora Rosalba Ciarlini Rosado, fala-se em composição do secretariado, quem vai ocupar tal pasta. Enfim, esse clima de favoritismo, de sapato alto, inclusive até com a rotulação da senadora de governadora de férias, não pode ser muito perigoso para o Democratas? E a gente leva como exemplo o senador Garibaldi Filho em 2006.

    NJ - Eu, particularmente, não ouvi falar dessa já negociação por secretarias. Não digo que exista ou não, apenas que não ouvi. No entanto, todas as pessoas que se intitularam governador em férias perderam a eleição, nos últimos anos, pelo menos. Histórias recentes mostram isso. Eu acho que a senadora Rosalba Ciarlini tem a noção exata do que representa não se auto intitular governador em férias, tanto que ela vem percorrendo todos os municípios do Rio Grande do Norte, não pára, sempre está num município diferente, eu acho que ela não está em ritmo de governadora em férias. Muito pelo contrário. Ela está buscando conquista uma maior parcela de votos em todo o Estado, lembrando sempre que os outros candidatos também estão fazendo isso. Não podemos andar de sapato alto, como diz o ditado popular. Nós temos um favoritismo, uma maioria de intenção de votos, o que não significa que vá ser confirmado nas urnas. Precisamos, sim, desenvolver um trabalho permanente para que esses votos venham a ser confirmados em benefício do nosso partido, da nossa coligação.


    GO - Ainda com relação à chapa proporcional, você é pré-candidato a deputado estadual. E o seu pai, ex-deputado Ney Lopes, também pode vir a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados novamente?

    NJ - Pode. O desejo do ex-deputado federal Ney Lopes, que foi candidato a vice-governador do senador Garibaldi Alves Filho, atendendo a um apelo do Democratas, todos nós conhecemos o resultado da eleição em 2006, e o desejo, se você perguntar: o que é que o ex-deputado Ney Lopes deseja?, ele deseja ser indicado primeiro suplente do senador José Agripino Maia, por uma questão de fidelidade, de reconhecimento a toda sua vida dedicada ao partido, e aqui, a região Oeste é a maior testemunha disso, da sua dedicação ao partido e de sempre seguir a orientação do senador José Agripino Maia. Até por merecimento, eu também comungo com esse pensamento, ele deseja essa indicação. Caso contrário, ele admite vir a disputar novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados.


    GO - Qual a análise que você faz da corrida para o Senado, onde temos três potenciais candidatos?

    NJ - A análise que eu faço para o Senado é que vai ser mais difícil do que a eleição de governador, embora as duas sejam eleições duras, eu gosto de fazer essa ressalva. Mas, no que diz respeito ao Senado, nós temos três ex-prefeitos de Natal, temos três ex-governadores, que vão levar a sua mensagem, a sua prestação de contas do que fizeram no decorrer da sua vida pública. Chegou a hora da verdade, porque nunca teve essa coincidência de três grandes lideranças disputarem o mesmo cargo. É um fato que um dos três vai ficar fora. Agora a população é quem vai dizer quais os dois que foram melhores e merecem ter um assento representando o Rio Grande do Norte na Câmara Alta, ou seja, no Senado da República.


    GO - Candidato ao Senado que for derrotado pode ser considerado sepultado da vida pública do Rio Grande do Norte? O fim político?

    NJ - De forma alguma. O fim político só se consuma com o sepultamento físico, ou seja, com a morte. Não existe fim político. A pessoa pode passar por um determinado momento, estar numa situação não muito confortável.


    GO - Geraldo Melo não seria um exemplo?

    NJ - Como?


    GO - Numa disputa entre Geraldo Melo, José Agripino e Garibaldi, exatamente três ex-governadores. A derrota de Geraldo Melo praticamente o sepultou da vida pública.

    NJ - Mas também você diz praticamente. Se o ex-governador e ex-senador Geraldo Melo tivesse se movimentado, assumido a sua candidatura a deputado federal, desde o ano passado, por exemplo, ele teria grandes chances de lograr êxito na eleição de 3 de outubro.


    GO - Mesmo sem base política?

    NJ - Mesmo assim. Ele tem uma história. Ele prestou serviços ao Rio Grande do Norte. Se a população aprova ou não, as urnas vão dizer. Mas ele tem uma história política. Eu não considero o ex-senador Geraldo Melo sepultado politicamente, não é um termo muito agradável, mas eu não acredito em sepultamento político. A pessoa só está totalmente fora da política quando vem a ter o sepultamento de fato.


    GO - Foi traçado um panorama da disputa senatorial, com três ex-governadores para ocupar duas vagas, como o jornalista Gilberto de Sousa sempre cita em sua coluna: Três tampas para duas garrafas". Quais os dois votos do vereador Ney Lopes Júnior para o Senado?

    NJ - Eu tenho um voto definido para o Senado, que é para o senador José Agripino Maia.


    GO - E o segundo, vai depender de quê?

    NJ - Das composições partidárias. Nós vamos ter a convenção no próximo dia 26. Quais são os outros dois pré-candidatos mais próximos ao Democratas? Tem Sávio, que é candidato do PC do B, tem o doutor Joanilson, que é candidato pelo PSDC, mas, evidentemente, o candidato mais próximo do Democratas é o senador Garibaldi Alves Filho, do PMDB. No entanto, por isso estou afirmando que só tenho o senador José Agripino, o PMDB vai participar de uma outra coligação, assim como o PSB, da ex-governadora Wilma, vai participar de outra. Então, eu mantenho a linha da fidelidade partidária. Como o meu partido e a coligação à qual eu pertenço só vão ter um candidato a senador, eu só posso afirmar que até a convenção o meu único voto é em prol da reeleição do senador José Agripino.


    GO - Essa complexidade nessa disputa para o Senado, principalmente no que se refere ao segundo voto, que pode eleger um senador, admite, inclusive, se pregar apenas um voto e anular o segundo?

    NJ - Na verdade, o primeiro colocado para o Senado vai ser aquele que conseguir conquistar a maioria do segundo voto. É muito complexo. Difícil de o cidadão comum entender essa matemática político-eleitoral. Eu estou muito dedicado a minha pré-candidatura, mas pode ser que um ou outro senador determine que seus correligionários anulem o segundo voto, o que eu acho que não é uma atitude correta, pois eu acho que votar em branco ou nulo é um desrespeito à democracia.


    GO - Não é correto. Mas, politicamente, é inteligente, para quem está numa disputa tão feroz como esta?

    NJ - Quem vai para o tudo ou nada, é uma estratégia. Maquiavélica, mas não deixa de ser uma estratégia para poder vencer, porque, repito, o segundo voto é que vai dar a cadeira número um ao futuro representante do nosso Estado no Senado Federal.


    GO - Estamos às vésperas das convenções. Como vai ser formada a coligação do DEM, no campo proporcional?

    NJ - Deverá ser, está para ter uma última conversa com o deputado federal Rogério Marinho, que é presidente do PSDB, mas tudo indica que para deputado federal e deputado estadual a coligação será o DEM, o PMN, que é do deputado Robinson Faria, e o PSDB. Portanto, essa é a coligação prevista, a ser homologada no dia 26.

    Entrevista concedida aos jornalistas Luís Juetê e Gilberto de Sousa
    jornal GAZETA DO OESTE, Mossoró-RN-, em 20.06.10