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Entrevistas

  • 19 de Abril de 2011

    Ney Lopes defende refundação do Democratas

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    O ex-deputado federal se lança desde já candidato ao Senado em 2014. Ney Lopes de Souza diz que é candidato ao Senado em 2014 e defende a refundação do Democratas para continuar existindo como partido importante no cenário nacional. Nesta entrevista exclusiva, o ex-deputado federal e ex-presidente do Parlamento Latino Americano, também revela surpreendentemente que foi afastado do diretório regional de seu partido, o DEM, e diz que as mudanças que estão ocorrendo na agremiação certamente atingirão suas relações políticas com o senador José Agripino. (clique na imagem para ampiá-la)

    Sobre uma possível aliança que reúna Henrique Alves, Robinson Faria e Carlos Augusto Rosado visando o Senado, Ney Lopes é enfático: “É preciso combinar antes com o povo do Rio Grande do Norte”.

    Ney Lopes também afirma estar satisfeito com os primeiros meses do governo Rosalba Ciarlini e mostra avanços em setores importantes como segurança, saúde e educação. Quanto ao final da administração Micarla de Sousa na Prefeitura de Natal, o ex-deputado por seis mandatos, acredita que pode existir uma recuperação.

    Ney Lopes de Souza é advogado militante, jornalista, e um dos fundadores do partido Democratas.

    FOCO - O senhor pretende ser candidato nas próximas eleições?

    NEY LOPES - Repito sempre que não se pode ser candidato de si próprio. É necessário ter o apoio de um partido, mesmo pequeno.  Decidi que, se tiver saúde e uma sigla partidária de apoio, colocarei o meu nome como opção para o Senado em 2014. Sempre tive desejo de chegar ao Executivo e implantar propostas pioneiras que defendi a vida toda. Não foi possível.  Pleiteei cinco vezes ser candidato ao Senado, por me considerar vocacionado para legislar e ter cumprido o meu dever como deputado federal. Também não tive respaldo partidário.  Agora, espero enfrentar as urnas. Ganhando, serei o legislador que sempre fui, sobretudo na defesa de um polo exportador e turístico para o RN, que gere milhares de empregos e novas oportunidades. Se perder, escreverei um livro sobre se vale a pena ter espírito público e defender o interesse público.

    FOCO - Seria candidato ao Senado pelos Democratas?

    NEY LOPES - O natural é este caminho. Não sei se o partido me quer. Vamos ver.

    FOCO - Fala-se que os Democratas farão composição para o Senado em 2014 com Robinson ou Henrique Alves e colocariam Carlos Augusto Rosado na suplência. O que acha disto?

    NEY LOPES - Acho que, se for verdade, é preciso combinar antes com o povo do Rio Grande do Norte.

    FOCO - Como o senhor acompanha a debandada no Democratas em nível nacional?

    NEY LOPES - Conter este processo de esvaziamento dos Democratas está entregue a um conterrâneo, que é o senador José Agripino, a quem compete como presidente do partido reestruturá-lo e colocá-lo em novos rumos. O senador tem experiência e competência para esta difícil tarefa. Uma coisa é incontestável: os Democratas precisam refundar o seu programa partidário, metas e formas de agir.

    FOCO - Como está o partido no plano local?

    NEY LOPES - Sou fundador dos Democratas. Fui afastado do Diretório Regional. Não tenho muitas informações.

    FOCO - Como andam suas relações políticas com o senador José Agripino?

    NEY LOPES - Relações pessoais muito boas. Existe o respeito recíproco entre nós. As mudanças que estão ocorrendo nos Democratas, certamente atingirão as relações políticas com o senador José Agripino e o partido.

    FOCO - Como o senhor avalia nosso atual Congresso Nacional?

    NEY LOPES - O Congresso é o retrato 3x4 do povo brasileiro. Não se pode questioná-lo. O voto foi livre. Apenas, não acredito que faça as reformas fundamentais que o país exige. A única lei que parece sensibilizar a maioria dos eleitos é a lei da sobrevivência, a qualquer custo. Sem propagar pessimismo, não enxergo possibilidade de avanços. Ressalvo quer há parlamentares que não se incluem nesta análise e merecem respeito.

    FOCO - Quais projetos o senhor destaca em sua atuação como deputado federal?

    NEY LOPES - Apresentei dezenas de propostas de leis e normas, inclusive para a América Latina e Caribe, como legislador no Parlatino, durante seis legislaturas no Congresso. Tenho vários livros publicados com este material. Destacaria no Congresso Nacional três propostas de minha autoria: o PL  (projeto de lei)  n°274/75, de 15.04.1975, que deu origem no Brasil ao crédito educativo. A ideia se transformou numa linha de crédito da CEF e do BB e possibilitou que milhares de brasileiros concluíssem o curso superior. O meu projeto original foi deturpado pelo Fies e precisa voltar.

    Outra iniciativa legislativa que tive foi o projeto de Lei Complementar 323/05, que cria o complexo geoeconômico e social do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. (regulamenta o artigo 43 da Constituição). Este é o caminho para o nosso Nordeste. Permitiria a concessão de incentivos fiscais na recuperação de terras áridas e a instalação de fontes de irrigação em pequenas e médias propriedades rurais. Outro trabalho como deputado que executei foi a relatoria da lei de Marcas e Patentes. O texto final desta lei foi alterado após o retorno do Senado e aprovado na Câmara dos Deputados. A partir desta legislação pioneira os cientistas brasileiros passaram a ter oportunidades e o país cresceu em matéria de inventos. Houve repercussão internacional deste meu trabalho, inclusive em livros.

    FOCO - Os primeiros meses do governo Rosalba Ciarlini estão lhe agradando?

    NEY LOPES - Sim. A governadora demonstra firmeza, equilíbrio e bom senso. De forma discreta, está atingindo objetivos ainda não anunciados, que beneficiarão o Estado. Ninguém perde por esperar.

    FOCO - Falam que o novo governo estadual não tem projetos para o Rio Grande do Norte. Como o senhor vê isso?

    NEY LOPES - A governadora tem avançado em projetos concretos na área da saúde, com a reestruturação dos hospitais regionais e o anuncio da construção de novo hospital de urgência em Natal. Na segurança pública promove, sem alardes, uma grande reestruturação do aparelho policial, sobretudo na área de inteligência. Na educação, o governo prioriza os cursos profissionalizantes, capacitação de professores e melhoria das remunerações. No campo econômico, o governo desenvolve ações para a interiorização das indústrias, trocando impostos por empregos.

    FOCO - Qual sua avaliação sobre o governo de Micarla de Sousa?

    NEY LOPES - A forma como Micarla ganhou as eleições - contra tudo e contra quase todos os líderes - gerou uma forte explosão de expectativas. Ela é vítima disto. Acredito que está em processo de recuperação. Faço votos que atinja este objetivo. Só o futuro dirá.   Leia também o "blog Ney Lopes".

    i-twitter i-facebook i-rss-feed Entrevista concedida a REVISTA FOCO, Natal, RN, no dia 13 de abril de 2011