Marca Maxmeio

De Olho Aberto

  • 11 de Outubro de 2008

    De pai para filho

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    Ney Lopes de Souza Junior, meu filho, se elegeu vereador em Natal, no último 5 de outubro.

    Ele sempre desejou ingressar na vida pública. Dei-lhe esse exemplo com o exercício de seis mandatos de deputado federal: vice-prefeito de Natal; primeiro suplente de Senador da República.

    Dizia-lhe que só ingressasse na política, quando não dependesse dela para viver.

    A política é vocação. Não é profissão.

    Ney Jr concluiu o curso de Direito, na UnB, no Distrito Federal. Fez Mestrado na “American University” em Washington DC, Estados Unidos. Freqüentou curso de especialização em “marketing político”, na George Washington Univerisity, também em Washington DC.

    Preparou-se profissionalmente. Exerce a advocacia profissional há anos. Inclusive, com escritório instalado em Brasília-DF.

    Ultimamente, resolveu fazer o curso de jornalismo. Ele é concluinte este ano na UnP, conceituada universidade potiguar.

    Desejo a ele nesse momento em que sobe o primeiro degrau na vida pública, que seja na política como um “jardineiro”. Na expressão de Victor Hugo sempre “plante uma semente; por mais minúscula que ela seja; e acompanhe o seu crescimento; para que saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore”.

    Posso afirmar, que mesmo com 34 anos de vida, Ney Jr já acumulou muita experiência de vida pessoal e profissional. Tem tudo para exercer bem o mandato de Vereador, dignificando o voto popular.

    Talvez, a maior experiência de vida de Ney Jr tenha sido estar nos Estados Unidos no fatídico dia 11 de setembro. Presenciou as apreensões e agonias acompanhadas no mundo todo.

    Imagino a sua intranqüilidade, quando estava na Universidade e pela Internet instalada em cada bancada da sala de aula, soube que as “torres gêmeas” de Nova York haviam ruído.

    Minutos após, relatou-me, atônito ao telefone, os gritos, o desespero, a correria de professores, alunos e funcionários, todos apavorados com o estrondo do “Boeing” jogado contra o Pentagom, o centro, até então impenetrável, das operações militares norte-americanas.

    Ele estava há cerca de um quilômetro e meio do edifício atingido.

    Em meio ao tumulto, propagava-se o temor de que, em minutos, fosse lançado outro avião suicida sobre a Casa Branca. Logo as ligações telefônicas foram suspensas e as ruas evacuadas. Foi para casa a pé com tudo interditado, até o metrô.

    Depois, durante horas, nada de comunicação. De longe, eu, a sua mãe, irmãs, familiares e amigos acompanhamos a distancia o seu pavor. Porém, para não nos decepcionar, teimava em dizer que “estava tudo bem” e iria continuar os estudos do Mestrado em Direito, que fazia na “American University”.

    Tratava-se de uma oportunidade, talvez única, de pós-graduação, de novos conhecimentos e contatos. Não aceitou voltar ao Brasil. Cheguei a pedir-lhe isto. Optou por permanecer em Washington DC, mesmo com a onda diária de terrorismo e riscos de bombas.

    Fez estágio no BID (Banco Intermaericano de Desenvolvimento) e percebeu quanto dinheiro existe a fundo perdido para ser aplicado em cidades latino-americanas.

    Sempre me perguntava: “por que a cidade de Natal não faz um projeto para resolver com o dinheiro do BID, definitivamente o nosso problema de saneamento básico?”

    No final do mestrado fez a sua tese sobre aspectos jurídicos do comércio na América Latina. Foi incisivo ao defender mudança da política norte-americana, em relação ao nosso continente. Provocou polêmica na Universidade.

    No dia do recebimento da graduação (“Mestre em Direito Econômico Latino-americano”) estava ao lado dele, juntamente com Abigail, suas irmãs e alguns familiares.

    Festejamos a vitória da persistência de quem sempre quis  melhor se qualificar profissionalmente para enfrentar os desafios da sua terra. Da coragem de enfrentar as adversidades de um país praticamente em guerra naquela época.

    Venceu a disputa em Natal por um lugar na Câmara Municipal.

    As obrigações da paternidade impõem orientá-lo para sempre preservar a honestidade, a perseverança e a disciplina.

    A sociedade não supre esses ensinamentos. Eles vêm de casa. Com Abigail sempre nos esforçamos para dá o exemplo. Seguimos o conselho de John Stuart Mill : “as obrigações dos pais em relação aos filhos estão indissoluvelmente ligadas ao fato de darem existência a um ser humano. Em relação à sociedade, cabe aos pais em fazer da criança um membro útil e em relação à criança, cabe a eles o empenho em fazer o que estiver ao seu alcance para proporcionar educação, a formação e os meios para que, por seu próprio esforço, o filho tenha uma vida bem-sucedida”.

    Os pais responsáveis dão o exemplo, abrem mão dos seus próprios desejos e aspirações, revisam prioridades,  “vão aos confins da terra pelo bem dos filhos”. Esopo, numa fábula, mostra que as palavras são importantes, mas vale fundamentalmente o exemplo. Descreve um caranguejo na praia com a sua mãe, que o repreende dizendo: “não corra de lado. Andar para frente é mais adequado”. O jovem caranguejo, respondeu: “Claro, mamãe, quero apreender. Mostre como se anda para frente e eu ando atrás de você”.

    Festejamos a vitória de Ney Jr, como vereador eleito de Natal.

    Ao lado dos companheiros eleitos ajudará na revitalização da Câmara Municipal de Natal. Não se trata de invalidar o trabalho dos que vieram antes.

    Em absoluto.

    Trata-se apenas de avançar na tarefa de legislador municipal. Buscar acompanhar o dia a dia da cidade, dos seus problemas, dos seus desafios. E ajudar no que for possível.

    Esta não será uma tarefa individual. Mas de todos que integram o legislativo municipal de Natal.

    Digo-lhe apenas: “parabéns, meu filho”.

    Percorremos juntos a íngreme estrada da vida. Como disse Ghandi, a alegria não está na vitória propriamente dita, mas na luta, na tentativa e no sofrimento envolvidos. Por isso, na hora do seu sucesso recordei o provérbio chinês que aconselha “procurarmos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão”. Em família, sempre agimos assim.

    Agradeço muito ao povo do RN, o que alcancei na vida pública e poderei, ainda, alcançar. Foi difícil chegar até aqui. Mas conseguimos.

    Você tem o meu nome e herda uma vida pública limpa, coerente e responsável. Agradeço a Deus essa Graça. Esteve sempre ao meu lado, participando da atividade política e conhecendo de perto as dificuldades de um homem público. Aprendeu muito, porém o conhecimento é infinito. Cada dia é um novo aprendizado.

    Nunca decepcione quem acreditou em você. Jamais seja ingrato ou traidor. Evite a bajulação.

    Assuma posições claras, mesmo correndo o risco de ser incompreendido. Não busque agradar a todos. Seja coerente e honesto consigo mesmo. Como no texto de Victor Hugo busque descobrir a existência de “oprimidos, injustiçados e infelizes à sua volta”. Lembre-se da advertência do escravo, que segurava a coroa de louros sobre a cabeça do general romano vitorioso: "Não te esqueças que és humano".

    Eu e a sua mãe sempre mostramos a você e às suas irmãs – Karla e Aninha – o valor da virtude da humildade, que inspira a força moral, indispensável ao sucesso. No final do seu mestrado (2002) em Direito Econômico Internacional, na “American University” em Washington DC, nos Estados Unidos, escrevi artigo, no qual transcrevi os conselhos de Robert E. Lee ao seu filho: “seja franco; a franqueza é filha da coragem e da honestidade. Diga o que pretende fazer em todas as ocasiões e se certifique de fazer o que é correto. Se um amigo pedir um favor, faça, se for razoável; se não for, explique simplesmente porque não vai fazer;... Não faça nada incorreto para ganhar ou manter uma amizade; quem pedir para fazê-lo está pronto a se vender e o preço é um sacrifício muito caro. Tenha uma atitude gentil, porém firme com todos os seus amigos. Acima de tudo não tente parecer, o que não é. Cumpra os seus deveres. Não permita que eu e sua mãe tenhamos um só fio de cabelo branco por qualquer falha de sua parte no cumprimento do dever”

    Ao vê-lo entrar vitorioso na vida pública tenho a sensação daquela cena da Ilíada, o primeiro grande épico de Homero, em que o troiano Heitor ao deixar a cidade para combater os gregos, olhou firmemente o seu filho e pediu aos deuses que “algum dia os troianos dissessem dele é melhor do que o pai”.

    Que Deus o abençoe!

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