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Brasília em Dia

  • 02 de Junho de 2013

    Tal pai, tal filho!

    2013-06-01-emdia

     

    No último dia 27 de maio, em Natal, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) – o mais idoso da história do Congresso Nacional – completou noventa anos de idade. A Assembleia Legislativa do RN outorgou-lhe a medalha do Mérito Legislativo. Ao seu lado, a esposa Maria Vanice, quatro filhos, doze netos, entre eles o senador licenciado Garibaldi Alves Filho e atual Ministro da Previdência Social. O Senador Garibaldi Alves é um nome que ficará na história política do seu estado e do país.

    Em 1960, o autor deste artigo tinha 16 anos e como repórter credenciado na Assembleia Legislativa do RN quase presenciou uma tragédia. O estado vivia clima de intenso acirramento político entre os seguidores do candidato a governador Aluízio Alves (irmão de Garibaldi) e do então governador Dinarte Mariz. No plenário, dois deputados se digladiavam verbalmente. A certa altura, um deles saca o revólver e de imediato o então deputado estadual Garibaldi Alves manifesta o seu espírito pacífico e conciliador. Joga-se à frente do colega armado e tenta impedir o disparo. Não conseguiu. Uma bala atinge a sua coxa e logo é levado às pressas para Recife, em estado grave.

    Anos depois soube que naquele dia também estava nas galerias da Assembleia e testemunhou o seu pai caído e lavado em sangue, o atual ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho.

    Com a saúde recuperada, o senador Garibaldi continuou na política. Exerceu três mandatos de deputado estadual; dirigiu a empresa estatal de telefonia e o SESI (Serviço Social da Indústria). Junto com os irmãos Aluízio, deputado federal e Agnelo, prefeito de Natal, foi cassado, sem direito de defesa. Os três de nada foram acusados formalmente. Somente cassados.

    A essa altura, o “garoto” Garibaldi Alves Filho ingressa na vida pública, ao lado do primo, Henrique Alves (atual presidente da Câmara Federal), ambos substituindo os seus pais. O hoje ministro seguiu o exemplo do pai. Adotou postura conciliadora e abriu espaços para o diálogo com a comunidade norte-rio-grandense, através da inovação de um programa radiofônico e coluna em jornal estadual.

    Sobre Garibaldi Filho lembra o autor do artigo, a época do Colégio Marista de Natal, quando ambos, colegas, desempenharam funções na direção do Diretório Estudantil. Franzino, Garibaldi era o orador oficial. Certa vez, ao ir discursar, “um gaiato” gritou: “engole o paletó Garibaldi”. Ele não se perturbou e fez um excelente pronunciamento. Orador nato tem demonstrado esse dom, em pronunciamentos no Congresso Nacional, que já chegou a presidir.

    O homenageado senador Garibaldi Alves nunca teve projeto pessoal. Era um aliado do irmão Aluízio Alves. Essa mesma atitude teve depois o ministro Garibaldi Filho, que por muitos anos disputou a deputação estadual para não conflitar com o primo Henrique Alves, deputado federal, reeleito nove vezes.

    O senador Garibaldi Alves chegou à alta Câmara do país em 2011, após a vitória para o governo do estado da senadora Rosalba Ciarlini, de quem era primeiro suplente. O seu filho, Paulo Roberto Alves, presidente do Tribunal de Contas do RN, diz que “ele recebeu presente de Deus e do povo potiguar”.

    Foi emocionante a homenagem prestada em Natal ao senador Garibaldi Alves. Ao lado da família reuniu no plenário da Assembleia quatro ex-governadores, de tendências políticas conflitantes. Ao falar com a voz embargada perdoou velhos adversários das lutas municipais e fez patética profissão de fé em defesa do nordeste e ações de combate a seca. Discursando, o ministro da previdência, Garibaldi Filho, destacou no seu pai os valores de verdade, trabalho, senso de justiça, determinação, união da família como exemplos de princípios universais legados na formação familiar. Foi às lagrimas.

    Ao final da solenidade, o senador que chegava aos 90 anos poderia ter resumido a sua existência com a expressão do Código Samurai: “Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada”. O ministro Garibaldi Filho, seu fiel seguidor, é o legítimo herdeiro do estilo afável, extremamente humano e sensível aos dramas alheios, cordial, atencioso, justificando a afirmação popular de que “tal pai, tal filho”.

    Leia também o "blog do Ney Lopes".

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