Marca Maxmeio

Atuação no Congresso

  • 17 de Março de 2007

    Memória Política

     

     

    REFLETORES DA FAMA (Valério Andrade - Jornalista) - O deputado Ney Lopes foi uma das cabeças pensantes da Câmara dos Deputados, eleito pela imprensa nacional um dos dez parlamentares do ano, não um, mas durante vários anos. É uma estrela de primeira grandeza da política do Rio Grande do Norte, e, se fosse carioca, paulista, mineiro, também seria um dos notáveis desses Estados.

    Lopes é um dos políticos mais preparados para exercer qualquer cargo – aqui ou em qualquer Estado. É espantoso – se é que alguma coisa ainda causa espanto no Rio Grande do Norte – é o manto do silêncio do PFL acobertando Ney no momento em que está sem mandato.Sem falar no seu currículo internacional e de ter sido um dos três brasileiros a exercer a presidência do Parlatino, Ney

    Vale lembrar que Ney Lopes trocou uma reeleição garantida de Deputado Federal para ajudar a formar a aliança entre o PFL e o PMDB. Fica uma pergunta no ar: se ele tivesse sido candidato, Felipe Maia teria concorrido a Câmara Federal? – e, se tivesse, teria sido eleito?

    Atualmente, Ney está sozinho na travessia do deserto de sal, sob o sol escaldante, vivendo a solidão dos derrotados, principalmente, dos derrotados sem mandato. Entretanto, assim como superou momentos dramáticos de sua vida pública e pessoal, Ney também vencerá essa batalha. É uma questão de tempo e de oportunidade.

    Os trechos citados pertencem ao livro “Resgate da Memória Política” do jornalista e escritor João Batista Machado.

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    Filho do modesto alfaiate do bairro do Alecrim, Josias de Oliveira Souza, o jovem Ney Lopes ocupou seu espaço no movimento estudantil, na imprensa provinciana, regional e nacional, e na vida pública do Rio Grande do Norte, graças ao talento e à competência que venceram as adversidades do menino pobre de futuro sombrio. Vislumbrou nos estudos a alternativa para dar a volta por cima e o fez tornando-se um estudante aplicado, um advogado atuante e um político audacioso, que buscava um lugar ao sol. (...)

    (...) O advogado e professor Cortez Pereira chega ao Governo do Estado (1971 a 1975) e recruta quase todo o secretariado dos quadros das UFRN. Uma experiência inédita na vida pública do Rio Grande do Norte. Entre os convocados, o advogado e professor de direito Ney Lopes de Souza, nomeado para a chefia da Casa Civil do novo governo. No ano seguinte, seria deslocado para a secretaria de Governo e Justiça. Posteriormente, assumiria a diretoria comercial da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN) – privatizada no governo de Garibaldi Filho (1995 a 1999), para candidatar-se, pela segunda vez, a deputado federal. Desta vez, pelo sistema situacionista ao qual pertencia.

    No Governo, Ney viabilizou sua candidatura a deputado federal criando seu espaço em diversas regiões do Estado, conseguindo os apoios indispensáveis a sua eleição. Obteve o seu intento, mas seu mandato, que seria de quatro anos (1975 a 1979), teve curta duração. Pouco mais de um ano depois de ter sido eleito pela legenda da Arena, foi cassado pelo regime militar no dia 04/08/1976, sob a “acusação de que teria sido beneficiado pelo uso do poder econômico à época em que tinha exercido o cargo de diretor da COSERN”. Naquela fase de delação explícita, Ney fora acusado, sem ter o direito de defesa, como todos os cassados da época: ninguém tinha direito ao contraditório.

    Ney, além de perder o mandato, teve os direitos políticos cassados por dez anos e foi aposentado, compulsoriamente, nos cargos de professor e procurador da UFRN. Sua vida desmoronou. Em condições precárias, transferiu-se para a casa do sogro, advogado Claudionor de Andrade, com a mulher Abigail e dois filhos menores, todos alojados numa pequena dependência da casa. Naquela época, “cheguei a pensar em suicídio, tal o meu desespero. Todas as portas se fecharam pra mim. Até as lideranças da oposição, também cassadas pelos militares, investiram contra mim de maneira cruel, através do seu jornal. Pessoas que eu pensava serem amigas viravam o rosto, quando me avistavam”. (...)

    (...) Seu objetivo era recuperar o mandato de deputado federal que tinha sido interrompido na década de 1970. A primeira chance surgiu em (1987/1991) com a conquista de um novo mandato. Consegue mais quatro consecutivos, além de ter sido vice-prefeito de Natal (1989/1993) na chapa encabeçada pela então prefeita Vilma de Faria. As eleições sucessivas impulsionaram sua carreira, e ele dedicou-se a exercer os mandatos com competência, chegando a ser eleito por diversas vezes “como uma das cabeças pensantes do Congresso Nacional”, por sua destacada atuação parlamentar.

    Exerceu os cargos das mais importantes Comissões da Casa, dentre eles, o de membro titular da Comissão de Constituição e Justiça, chegando à sua presidência no exercício de 2002. Presidente reeleito do Parlamentar Latino-Americano (PARLATINO), com sede em São Paulo, do qual foi também secretário geral. Uma conquista rara para um representante do Rio Grande do Norte na Câmara Federal, consolidando sua liderança além das fronteiras do país. Procurador Parlamentar Geral da Câmara dos Deputados e presidente do Instituto “Tancredo Neves” (1995/1997), órgão superior de estudos políticos e sociais do PFL. (...)

    (...) Deputado com visão de futuro, que projeta as potencialidades do Rio Grande do Norte além das nossas fronteiras, defende com ênfase que, paralelamente à construção do novo mega aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que vem se arrastando há anos, seja reservada uma área para o livre comércio internacional (América do Sul, Europa, África e China), como alternativa viável para o desenvolvimento do Estado, fato que certamente ocasionará sua redenção econômica, através de um instrumento que vai alavancar seu futuro promissor. (...)

    (...) Segundo o parlamentar, com a possibilidade de o aeroporto de São Gonçalo ser concluído com recursos da Parceira Pública Privada (PPP), aumentam ainda mais as chances de o Rio Grande do Norte ter uma área de livre comércio, fato que modifica o perfil da economia potiguar. “Precisamos sair do feijão com arroz e pensar grande. Somente assim sairemos as mesmice que nos acompanha há décadas”, diz o deputado que, segundo o comentarista de economia do “Jornal de Hoje”, Marco Aurélio de Sá, “é um dos poucos da nossa representação que possui visão cosmopolita de nossas relações políticas e econômicas em termos de futuro”. (...)


    Refletores da Fama
    Coluna semanal
    publicada no jornal TRIBUNA DO NORTE
    Domingo 18.03.07